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blog dedicado a textos que me chamam a atenção no dia a dia…


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Para refletir – Poesia [Filhos do horizonte]

Venho hoje como mais um excelente texto produzido por Rafael Arrais e retirado do seu livro Tudo será Céu, ele consegue falar muito da espiritualidade e da minha própria visão espiritual em suas poesias. Espero que gostem.


[Filhos do horizonte]

Mexe uma pedra, levante um galho
E o que vê não é galho nem pedra
Mas luz a refletir pelas coisas criadas
Pois tudo o que há é luz condensada
E luz que se propaga como a cerração da neblina
Guiada por brisas através dos campos infinitos
Cheios de galhos e pedras

E vós, que sois filhos do horizonte
Não devem temer a escuridão nem a morte
Pois a escuridão não há – é ausência de luz
E a morte não há – é apenas a renovação da vida
E além do horizonte, pelas estrelas da noite
Tudo o que há são pérolas a luzir
Sóis que vos criaram como pedras
Moldadas em fornalhas

E a girar pelas estrelas estão ainda outras pedras
Cada pedra, um berço potencial de vida
Cada vida, um berço potencial de luz
E vós, que sois filhos do horizonte
Não deveriam se inquietar com tal imensidão
Com saber de onde vieram tantas pedras e tantos sóis
Ora, e não parece óbvio?
Vieram do horizonte, como vós…

Para lá anseiam retornar
Algum sentido obscuro em vosso ser vos diz:
“Fomos criados a sua imagem e semelhança”
Mas qual é, afinal, a imagem do infinito?
Seriam todos esses seres que veem pelo caminho
Enquanto rumam ao horizonte?

E qual seria a vossa semelhança, afinal?
Senão a luz a desbravar o Cosmos como estrela cadente
Senão a luz a refletir em pedras e galhos secos
E seres cheios de vida
E a prórpia vida?

[2010]

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Para refletir – Poesia [Pequenos redemoinhos]

Hoje, eu vim com um texto diferente, ele é um pouco extenso, mas, para mim valeu a pena ter lido do início ao fim e espero que façam o mesmo, como sempre, esse texto não é meu, e sim, de um livro intitulado Tudo será Céu de um jovem estudante conhecido da internet chamado Rafael Arrais, que através do site do Marcelo Del Debbio (http://www.deldebbio.com.br/) eu cheguei até ele e seu blog (http://textosparareflexao.blogspot.com/), espero que gostem tanto quanto eu, leiam, reflitam e se quiserem comentem.


 

[Pequenos redemoinhos]

A todos aqueles que não cansam de dizer
Que o mundo é cinzento
Que todo momento é feito de dor
E que não há fórmula para resolver
A angústia de se existir
Eu me pergunto: “Será mesmo que estão
A viver no mesmo mundo que eu?”

Que na imensidão semiplana das terras
Pode-se dizer que montanhas nada mais são
Do que cicatrizes e rugas de épocas
Perdidas na memória das eras
Mas as paredes que nos escondem o horizonte
São como um deus imóvel, tão profundamente
Absorto no próprio pensamento
Que mal percebe o sol e a lua a lhe reverenciar
No eterno baile do firmamento

Não vejo como alguém poderia reduzir
As águas caudalosas que vêm lá do alto
Fazendo a luz da manhã refletir
Nas encostas cheias de neblina úmida
Apenas a rios, cachoeiras e oceanos
Que cada córrego tem seu próprio jeito
Peculiar de se esgueirar pela lama do solo
Até atingir no rio o leito, e prosseguir
Ao além-mar

E dizer que cada flor é apenas outra cor
Com a qual a natureza presenteia os raios da tarde
É ignorar que cada uma delas se curva
De sua maneira – ao céu, ao vento, e a chuva
Cada fragrância guarda a história de seu campo
E do amor com que foi ofertada
As abelhas e aos beija-flores
Que distribuem seu pólen, ainda que sem saber
Como sementes divinas do novo amanhecer

A todos aqueles que não cansam de dizer
Que o amor nada vale ante a morte
E que todas as coisas são como poeira
Assoprada por ventos, vindos de algum lugar
Desconhecido – Eu não posso evitar
Questionar: “E será que não é melhor amar
E perder, do que nunca haver sequer amado?”
Pois que é a morte, senão o eterno renovar das coisas que formam a vida?

E o que é o desconhecido, o oculto, o inexplicado
Senão o combustível do conhecimento?
Senão buscar para se encontrar, e em se encontrando
Continuar buscando –  Até o alto das montanhas
Por detrás dos horizontes e muito além do mar
Após a fragrância das flores e as incertezas do amor
Terem se rendido ao soar do vento
Onde toda dor se resume ao momento
Em que o ser se encara: face a face

Vai meu filho… Meu amigo… Meu irmão
Vai e procura… Vai e encontra…
E continua sempre a procurar!
Que nessa estrada infinita de seres
Todo o amor do mundo se encerra em Ti
E à Seus pés encontram-se rendidos
Todos os poetas e todos os sábios
E todo o conhecimento oculto a dançar
Por entre pequenos redemoinhos de vento

2009