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blog dedicado a textos que me chamam a atenção no dia a dia…


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Desmistificando a figura do Exu (desfazendo a ignorância de séculos)

E ai galera, beleza, mais uma vez estamos aqui para ler um texto belíssimo de esclarecimento, desta vez este texto foi redigido por um “mestre iniciador” já conhecido em nosso meio chamado Marcelo Del Debbio (http://www.deldebbio.com.br/), não sei bem aonde ele postou este texto inicialmente, mas, o consegui em um livro que ando lendo ultimamente e já citado aqui no blog que é Tudo será Céu do Rafael Arrais, neste texto se esclarece de forma sucinta a figura do Exu, muito discriminado desde o surgimento das religiões afro aqui no Brasil, até hoje vemos não só pessoas de fora das religiosidades afro assim como dentro destas ainda possuírem opiniões as vezes deturpadas, as vezes beirando a total ignorância. Vamos ao texto.


Iorubá Exu Elegba. Tribo: Yoruba. País: Nigéria. Material: Madeira, Pigmento. Tamanho: 17 "(43.2 cm) de alturaIorubá Exu Elegba. Tribo: Yoruba. País: Nigéria. Material: Madeira, Pigmentos. Tamanho: 17 “(43.2 cm) de altura

Assim como Hermes, Exu é o mensageiro dos deuses, seu poder é o de receber e transportar os pedidos e oferendas dos seres humanos ao Orum, o Mundo dos Deuses. É o senhor dos caminhos, das encruzilhadas, das trocas comerciais e de topo tipo de comunicação. Ele representa também e fertilidade da vida, os poderes sexual, reprodutivo e gerativo. Não podemos nos esquecer de que o sexo, diferentemente do que alguns católicos e evangélicos dizem (uma coisa de luxúria, de pecado), é na verdade um ato sagrado. Talvez por isso, por ele  ser o poder sexual, os cristãos o comparem com o Diabo.

A origem do mito de associação de Exu com o Diabo vem dos Jesuítas. Quando os escravos fazendo o sincretismo de suas religiões africanas com os Santos Católicos, os Jesuítas desconfiaram que havia alguma coisa errada…

Orixá Exú (Camasi Guimarães)Orixá Exú (Camasi Guimarães)

Nas religiões africanas, não existe a figura do Diabo, apenas de deuses com características humanas. Então eles encontraram um símbolo fálico representando o Exu e tiveram a “brilhante ideia” de associar o pênis ereto com o sexo (pecado) e com o Diabo, para completar o panteão católico.

Adicione dois séculos de deturpação católica e (posteriormente) evangélica e temos a imagem do Exu como ela é nos dias de hoje.
Sem falar que normalmente a figura do senhor Exu é colocada com chifres, rabo, pintado de vermelho, imagem bem parecida com a que os cristãos “desenharam” o Diabo… Então, o Exu verdadeiro das religiões africanas nada tem em comum com o Diabo lúdico, e as esquisitas estátuas comercializadas e utilizadas arbitrariamente em terreiros são frutos da imaginação de visionários que não enxergam nada além das manifestações dos baixos sentimentos em formas deprimentes, nos seres que lhes são afins.

Marcelo Del Debbio

* Imagens acrescentadas pelo autor do blog.


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DESROTULE-SE, religião não é rótulo

A algum tempo, pessoas do meu convívio que sabem que sou estudante de espiritualidade, vêm me perguntar como conciliar a religião delas e um caminho espiritualista mais abrangente. Muitos que convivem comigo sabem que participei de muitas religiões e hoje sei quais são as minhas convicções e cada um possui a sua, e lendo o texto que se segue abaixo do irmão e conselheiro (sem ele saber) Alexandre Cumino respondi a mim e a muitos que possuíam dúvidas sobre convicções religiosas.


 

ENQUANTO HOUVER UMBANDISTAS que se declaram católicos ou espíritas, este assunto sobre identidade umbandista, pertença religiosa e rótulo religioso será tema para mim e para muitos outros que escolheram pensar sobre a Umbanda que temos e a Umbanda que queremos. Ou melhor ainda: a umbanda que somos!

Assumir a identidade de uma religião que não traduz a sua verdade, uma religião que você não pratica, uma religião que você desconhece seus dogmas e fundamentos, é ter apenas um rótulo religioso. Sim, você não tem e não vive uma religião, apenas tem um rótulo religioso.

Este é o seu caso? Então ACORDE! e pergunte para si mesmo se a sua religião é apenas um rótulo? Para visitar uma Igreja, ir a um casamento em uma Igreja, rezar para Jesus ou aos santos, não é necessário ter um rótulo de católico. Agora você carrega este rótulo por que crê que é algo bonito? Você tem um rótulo para se identificar com a maioria e não se sentir contrariando ninguém? Você tem este rótulo para não ter que discutir religião com ninguém? Então sinta-se bem-vindo e tome consciência que, de forma inconsciente, você é manipulado e faz parte de uma massa que não sabe e nem se interessa em saber de onde veio e para onde vai.

Isto é tão forte que, para muitos, a única maneira de trocar sua identidade e pertença religiosa é passando por uma desrotulação, ou seja, por mais que frequentem uma outra religião, só assume esta identidade depois de serem rebatizados. Esta é uma das razões de ser do ritual de batismo na Umbanda, afinal, não cremos em pecado, muito menos em pecado original*.

O batismo ajuda a desrotular e, para muitos, é uma forma de assumir um novo rótulo, ou identidade, agora, umbandista. Pelo fato da Umbanda ser uma religião de minoria, assumir esta identidade, na maioria das vezes, é um gesto consciente e de consciência, por ser a Umbanda uma cultura de contracultura. Ou seja, uma forma de viver mais livre e solta com relação ao valores moralistas e hipócritas de um mundo antigo, os quais muitas religiões tentam manter em nome da tradição ou da família.

A Umbanda reconhece a importância da tradição com relação aos rituais em meio a um mundo pós-moderno, ou seja, guardar o que é bom e reciclar o que não nos serve mais. Quanto à família, é um fato de que as famílias estão mudando sua forma de ser e de se relacionar. Não cremos que a família é uma instituição falida como dizem os mais radicais, no entanto, existem novas estruturas de famílias, novas formas de conviver e de criar laços afetivos e consanguíneos e a Umbanda nos ajuda a entender estas novas realidades e nos dá apoio para trilhar dentro da verdade acima de tudo.

O valor da tradição, ou da família, não pode ser mais forte que a sua verdade. Viver na mentira ou na hipocrisia não faz parte de uma vida vivida com valores saudáveis nem para si muito menos para os seus. Como diria Krishnamurti: “estar de acordo com uma sociedade doentia não é sinal de uma vida saudável.” Por anunciar a vida em liberdade de consciência e verdade, a Umbanda pode ser considerada uma cultura de contracultura nacional e pós-moderna que vive e existe sem alarde. Afinal é muito mais fácil viver sem se dar ao trabalho de pensar, apenas seguindo a massa e assumindo os valores que lhe parecem unanimidade. Por mais que se diga que “toda a unanimidade é burra”, continua sendo uma tendência seguir a unanimidade.

Desrotule-se, mas não faça isso apenas para assumir um novo rótulo. Não faça da Umbanda seu novo rótulo religioso. Veja que a Umbanda é um novo olhar para a vida e veja na Umbanda uma forma de transformar sua vida e seu destino, uma oportunidade de tornar-se consciente de si e de sua espiritualidade. Caminhar com verdade e consciência, isto sim deve ser sinônimo de ter uma religião como a Umbanda a dar sentido para sua vida. Portanto, Umbanda não é mais um rótulo, etiqueta ou crachá para pendurar ao peito ou no pescoço. Umbanda é seu despertar para o sagrado, Umbanda é consciência total e integral, Umbanda é acordar para a vida, Umbanda é um olhar para o mundo objetivo e subjetivo ao mesmo tempo, Umbanda é algo que você é e não algo que você carrega.

DESROTULE-SE,
religião não é rótulo!

DESROTULE-SE,
religião é consciência!

DESROTULE-SE,
religião é teoria, prática e vida!

* Para a Igreja Católica o ritual de batismo existe para que a pessoa se livre do Pecado Original cometido por Adão e Eva, do qual todos os seres humanos são herdeiros. Embora Cristo não tenha falado nada sobre isso e muito menos João Batista, a Igreja criou sua própria “Teologia do Pecado”, na qual o batismo é peça fundamental. Além disso, o batismo é e sempre foi originalmente um ritual de iniciação, limpeza e pertença religiosa.

Obs.: As partes do texto em negrito são destaques de minha autoria.

 

Texto de Alexandre Cumino, extraído do Jornal de Umbanda Sagrada, nº 167 – abril de 2014.


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Para refletir – Poesia [Filhos do horizonte]

Venho hoje como mais um excelente texto produzido por Rafael Arrais e retirado do seu livro Tudo será Céu, ele consegue falar muito da espiritualidade e da minha própria visão espiritual em suas poesias. Espero que gostem.


[Filhos do horizonte]

Mexe uma pedra, levante um galho
E o que vê não é galho nem pedra
Mas luz a refletir pelas coisas criadas
Pois tudo o que há é luz condensada
E luz que se propaga como a cerração da neblina
Guiada por brisas através dos campos infinitos
Cheios de galhos e pedras

E vós, que sois filhos do horizonte
Não devem temer a escuridão nem a morte
Pois a escuridão não há – é ausência de luz
E a morte não há – é apenas a renovação da vida
E além do horizonte, pelas estrelas da noite
Tudo o que há são pérolas a luzir
Sóis que vos criaram como pedras
Moldadas em fornalhas

E a girar pelas estrelas estão ainda outras pedras
Cada pedra, um berço potencial de vida
Cada vida, um berço potencial de luz
E vós, que sois filhos do horizonte
Não deveriam se inquietar com tal imensidão
Com saber de onde vieram tantas pedras e tantos sóis
Ora, e não parece óbvio?
Vieram do horizonte, como vós…

Para lá anseiam retornar
Algum sentido obscuro em vosso ser vos diz:
“Fomos criados a sua imagem e semelhança”
Mas qual é, afinal, a imagem do infinito?
Seriam todos esses seres que veem pelo caminho
Enquanto rumam ao horizonte?

E qual seria a vossa semelhança, afinal?
Senão a luz a desbravar o Cosmos como estrela cadente
Senão a luz a refletir em pedras e galhos secos
E seres cheios de vida
E a prórpia vida?

[2010]


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Para refletir – Poesia [Pequenos redemoinhos]

Hoje, eu vim com um texto diferente, ele é um pouco extenso, mas, para mim valeu a pena ter lido do início ao fim e espero que façam o mesmo, como sempre, esse texto não é meu, e sim, de um livro intitulado Tudo será Céu de um jovem estudante conhecido da internet chamado Rafael Arrais, que através do site do Marcelo Del Debbio (http://www.deldebbio.com.br/) eu cheguei até ele e seu blog (http://textosparareflexao.blogspot.com/), espero que gostem tanto quanto eu, leiam, reflitam e se quiserem comentem.


 

[Pequenos redemoinhos]

A todos aqueles que não cansam de dizer
Que o mundo é cinzento
Que todo momento é feito de dor
E que não há fórmula para resolver
A angústia de se existir
Eu me pergunto: “Será mesmo que estão
A viver no mesmo mundo que eu?”

Que na imensidão semiplana das terras
Pode-se dizer que montanhas nada mais são
Do que cicatrizes e rugas de épocas
Perdidas na memória das eras
Mas as paredes que nos escondem o horizonte
São como um deus imóvel, tão profundamente
Absorto no próprio pensamento
Que mal percebe o sol e a lua a lhe reverenciar
No eterno baile do firmamento

Não vejo como alguém poderia reduzir
As águas caudalosas que vêm lá do alto
Fazendo a luz da manhã refletir
Nas encostas cheias de neblina úmida
Apenas a rios, cachoeiras e oceanos
Que cada córrego tem seu próprio jeito
Peculiar de se esgueirar pela lama do solo
Até atingir no rio o leito, e prosseguir
Ao além-mar

E dizer que cada flor é apenas outra cor
Com a qual a natureza presenteia os raios da tarde
É ignorar que cada uma delas se curva
De sua maneira – ao céu, ao vento, e a chuva
Cada fragrância guarda a história de seu campo
E do amor com que foi ofertada
As abelhas e aos beija-flores
Que distribuem seu pólen, ainda que sem saber
Como sementes divinas do novo amanhecer

A todos aqueles que não cansam de dizer
Que o amor nada vale ante a morte
E que todas as coisas são como poeira
Assoprada por ventos, vindos de algum lugar
Desconhecido – Eu não posso evitar
Questionar: “E será que não é melhor amar
E perder, do que nunca haver sequer amado?”
Pois que é a morte, senão o eterno renovar das coisas que formam a vida?

E o que é o desconhecido, o oculto, o inexplicado
Senão o combustível do conhecimento?
Senão buscar para se encontrar, e em se encontrando
Continuar buscando –  Até o alto das montanhas
Por detrás dos horizontes e muito além do mar
Após a fragrância das flores e as incertezas do amor
Terem se rendido ao soar do vento
Onde toda dor se resume ao momento
Em que o ser se encara: face a face

Vai meu filho… Meu amigo… Meu irmão
Vai e procura… Vai e encontra…
E continua sempre a procurar!
Que nessa estrada infinita de seres
Todo o amor do mundo se encerra em Ti
E à Seus pés encontram-se rendidos
Todos os poetas e todos os sábios
E todo o conhecimento oculto a dançar
Por entre pequenos redemoinhos de vento

2009


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Início de algo inesperado.

Bem galera, paz e graça a todos que lerem este pequeno texto introdutório.

Não sou muito de escrever nada, nunca fui, até porque quando escrevo é em momentos mais inesperados possíveis, mas, resolvi criar este blog no intuito de colocar, eu, minha cidade e meu estado no mapa em relação a conhecimentos e textos espiritualistas. Inicialmente não pretendo redigir nada de autoria pessoal, mas, o que for surgindo a gente coloca no papel e que sabe vai parar aqui. Este blog, tem o intuito de ser colocado textos que venham me chamar a atenção durante leituras e estudos diversos (citações, textos, vídeos, indicações,etc.), então não só ficarei voltado a algo diretamente espiritualista, mas, também a assuntos/temas que por ventura me chame a atenção e que tenha em minha opinião (sabendo que minha opinião não é absoluta) interesse moral e ou espiritual interessante a ser citado.

Então vamos lá… Alea jacta est